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Pão de Açúcar

O Cristo Redentor de braços abertos abençoando o Velho Chico é um dos cartões postais da cidade sertaneja de Pão de Açúcar, que no segundo domingo janeiro reúne fiéis do Baixo São Francisco para a festa de Bom Jesus dos Navegantes, protetor do rio e dos pescadores.

Temos o nosso próprio cristo e ele abençoa um pedaço de terra muito rico, viu? Mas o município, que recebeu a comitiva do Dom Pedro II durante sua expedição pelo Rio São Francisco, é v conhecido pelos mestres da cultura popular e as bordadeiras do ponto Boa Noite, do povoado de Ilha do Ferro. Não há correnteza que se negue a guiar tanta cultura por seus balanços.

 

A estátua do Cristo Redentor foi construída, ainda na década de 1950, pelo escultor João Damasceno Lisboa, nascido em Pão de Açúcar e popularmente conhecido como Joãozinho Retratista. Ao todo foi necessário cerca de um ano para a finalização da obra. O retratista teve ajuda do artista Manoel Clementino Santos, o Manoel Cobra Velha.

A estátua do Cristo Redentor em Pão de Açúcar possui a melhor vista da cidade. É possível enxergar o Rio São Francisco e suas pequenas praias, a comunidade, veja só, intitulada de Niterói, e alongando um pouco a vista, lá na outra margem, Sergipe.

Saboreando pitus

Das águas generosas do Velho Chico são pescados os pitus, espécie de camarão de água doce. Tradicionalmente, o crustáceo é temperado ao leite de coco, legumes e servido com pirão. Uma maravilha de Pão de Açúcar.

Ilha da Arte

A Ilha do Ferro ficou famosa graças ao seu maior artista, Fernando Rodrigues, o seu Fernando, que no auge de seus 70 anos criou mesas, cadeiras e bancos rústicos aproveitando as formas orgânicas de troncos e raízes, colhidos no próprio povoado. Ele tinha o hábito de desafiar os seus amigos a fazer bancos e todos os que aceitaram a provocação do mestre viraram escultores de mão cheia. Patrimônio Vivo de Alagoas, o artesão deixou seguidores na Ilha e em Pão de Açúcar e admiradores no Brasil e no mundo.

Povoado de artistas

Para quem vai viajar até a Ilha do Ferro, a dica é programar o passeio de segunda a sábado, porque o povo do local é formado por artistas, bordadeiras e verdadeiros anfitriões, que amam uma festa e não costumam perdê-las por nada. Ilha do Ferro é simples, não tem pousada e nem restaurante, apenas uma bodeguinha que vende cachaça, cerveja e o melhor quebra–queixo da região feito com esmero pelo Zé Bobó. Pode se chegar à Ilha do Ferro pela estrada, mas de barquinho pelo rio é maravilhoso.

Bordados Boa Noite

Na Ilha do Ferro, o bordado Boa Noite é uma tradição passada de mãe para filha. Mulheres de todas as idades desfiam o tecido para bordar os pontos com agulhas e linhas brancas e coloridas. Da arte manual se produz enxoval para cama e mesa com a delicadeza das ribeirinhas.

É quase impossível sair de Pão de Açúcar sem alguma lembrancinha. Os bordados boa noite e ponto cruz são fáceis de achar. Feito em linhas brancas, coloridas e linho, eles tecem toalhas, panos de prato, guardanapos e uma infinidade de criações de saltar os olhos tamanha delicadeza.

Mestre

Inspirado por seu pai, um exímio carpinteiro, Aberaldo Sandes fez seus barcos. Depois vieram os pássaros e ex-votos (pequenos e gigantes), igualmente aproveitando as formas naturais dos troncos da madeira. Sua arte está presente em hotéis, pousadas de charme e galerias de arte.

Já Valmir Lessa aprendeu com seu Fernando, mas criou seu estilo próprio de cadeiras e bancos de madeira.

Arte nas casas

Na Ilha do Ferro as casas são singelas, mas suas portas e janelas são vitrines da arte popular das bonecas de pano, da contadora de histórias e rezadeira, Dona Morena, que tem mais de 90 anos e também é bordadeira de Boa Noite. Também é fácil encontrar trabalhos de outros nomes como Faguinho, Domingo, Jailton, Zé Crente, Eraldo, Jailton e Vandinho, todos artistas populares do Velho Chico.

Balanço das Águas

O Museu Coleção Karandash, Ponto de Cultura “Arte em Movimento”, tem sede na Ilha do Ferro e navega levando arte para as comunidades ribeirinhas. Na bagagem da embarcação, esculturas de artistas da cultura popular alagoana, histórias e oficinas de arte-educação, que são compartilhadas para que crianças e adolescentes sertanejos conheçam os talentos do Velho Chico.

A proa e o convés do barco-museu no Balanço das Águas são decoradas com esculturas de mestres como Fernando Rodrigues (1928-2008), Véio, Resêndio, José de Tertulina e Zezinho. A ideie é levar a herança artística desses mestres cada vez mais longe através das correntezas do Velho Chico.

Cinema que veleja

Outro braço museu é o “Cinema no Balanço das Águas”, que leva oficinas de fotografia e artes visuais para a comunidade ribeirinha do São Francisco. Cursos de cinema e animação são ofertados para a população gratuitamente. É lindo e inclusivo.

Há muito tempo atrás

Pão de Açúcar tem atraído visitantes e estudiosos de todo o mundo. É que sítios arqueológicos foram encontrados com inúmeros fósseis pré-históricos. Essa concentração acontece na Serra dos Meirús, na Pedra do Navio e na Pedra do Alemar.